Santa Teresa Rio de Janeiro (RJ) |
(1896.09.01)
| A Empreza de Carris de Ferro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, entra ao serviço, ainda com carros puxados por mulas, em 25 de maio de 1875, numa linha ao longo da rua de Riachuelo. Em 13 de março 1877 é criado o plano inclinado de Santa Teresa, entre Riachuelo e o largo dos Guimarães, em Santa Teresa, bem como o serviço de bondes no bairro. Estes são puxados por mulas e correm sobre carris (914 mm de bitola) implantados nas suas ruas empedradas, levando os passageiros tão longe como o Silvestre. |
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| Os Arcos da Lapa no início do século. Repare-se no bonde de Stª. Teresa sobre os Arcos e, passando por baixo, um bonde a burro (à esq., foto de A. Malta) e um elétrico da Companhia de Carris Urbanos (à dir., foto de 1906). | |
| Foto in A Ilustração Portuguêza, 1909, coleção deÁlvaro Dias | Foto coleção Allen Morrison |

Para referir a importância dos bondes nestes anos já distantes, basta referir que, em 1920, foi construído um carro-salão especialmente para transportar S.A.R. o Rei Alberto I dos Belgas, quando este, depois de visitar o Corcovado, se apeia no Silvestre e, desde aí, desce de bonde até ao centro do Rio.
Em 1983 há a tentativa, por parte da CTC - Companhia de Transportes Coletivos, que controlam o sistema desde 1963, de fechar alguns dos carros, alegando aumento da segurança dos passageiros e o aumento das receitas - um a cada cinco passageiros, viajando preferencialmente nos estribos, ignora solene e liminarmente a presença do cobrador! Quatro carros chegam a sê-lo, mas a forte contestação da população por eles servida apressa o Tombamento de todo o sistema, o qual passa a ser considerado como Património Histórico da Cidade e, como tal, protegido por lei - e impedidos de sofrer alterações! Aos poucos e com relutância da CTC, os carros voltam ao seu aspeto primitivo...
De setembro de 1997 até meados de 1998, de uma frota de 17 carros, apenas quatro - dois na linha enquanto dois ficam de reserva! - servem as duas linhas existentes, com uma extensão total de 6,16km...
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| Os bondes na loteria... | ... e para telefonar. |
| Coleção Allen Morrison | Telerj |
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| Em 1963.04.26... | ... e em 1968.11.14. |
| Fotos © Blickpunkt Straßenbahn | |
Em 1975 é construída a atual Estação Terminal da Carioca. Os anteriores terminus, no Largo da Carioca, vêm sendo sucessivamente recuados, à medida que esta zona da cidade se vai urbanizando.

Mas, mais uma vez mercê de fortes pressões - principalmente a dos habitantes do bairro - em 1993 são feitas obras de emergência, sendo restabelecida a circulação entre Dois Irmãos e o Silvestre, obras tantas vezes prometida - mas a execução adiada -; mas não será retomada comercialmente pois o facto de ser em via única dificulta a sua operação. Em 1995 os Arcos da Lapa são restaurados, quando também são colocados novos trilhos para os bondes, o que impede a sua circulação naquele trecho por vários meses.
Pela primeira vez desde a sua criação estão em curso obras de restauro do sistema de forma programada e sistemática: com um valor orçado em R$2,5 milhões (cerca de 350 milhões de Escudos), elas incluem a recolocação de cerca de 3km de carris - passado a extensão do sistema para os 9,47km que existiam na década de 60 - com a reposição do ramal para a rua do Riachuelo, e a duplicação da via para o Silvestre, além de outros que o uso e os anos assim recomendam. Incluído também está a recuperação - alguns a partir do chassis - de mais 13 carros, sendo três de apoio e manutenção, e oTaioba: com duas entradas, bancos nas laterais e vasto espaço no salão - que servia para transportar pequenas cargas - bem assim como a totalidade da rede aérea, e a passagem do Museu para o Depôt de Santa Teresa - que funcionava, desde que tinha saído da garagem de ônibus da CTC na Triagem, em 1980, numa pequena sala existente na Estação da Carioca. Este Museu possui peças de grande valor histórico, como uma coleção de tickets de passagem, uniformes de velhos condutores, equipamentos técnicos e de operção e vários modelos reduzidos de exemplares antigos de bondescariocas: o especial para casamentos, o de Assistência Pública, o dos batizados, o bonde de luxo, etc..
Estas obras visam a viabilização do sistema. Na realidade, atualmente ele é altamente deficitário - a despesa é cerca de 10 vezes a receita! -, contribuindo para isso, de entre outros, o facto de apenas 600 a 800 dos cerca de 4000 passageiros transportados diariamente pelos bondes pagarem a sua passagem (R$0,60 ~ Esc.55$00 = €0,22). Na tentativa de reduzir este índice, a Estação Terminal da Carioca foi já dotada de roletas por forma a que, quem nela entre (ou saia), seja obrigado ao pagamento da passagem do bonde, e será aumentado o policiamento o que, naturalmente, também aumenta a segurança dos utilizadores dos bondes. Por outro lado, prevê-se que, com estas obras de melhoramento e com oito ou nove carros em operação (os restantes ficam de reserva), o movimento possa dobrar.
E, num futuro que esperemos que não seja muito distante, prevê-se ainda o prolongamento do ramal do Riachuelo até à Lapa, fazendo um grande balão, com ida pela rua de Riachuelo e retorno pela Mem de Sá e Gomes Freire.
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| O bonde 98 tendo como passageiros o time canarinho da Copa de Futebol França'98. | O bonde nº 2 a caminho do Silvestre em viagem charter, em 1996.08.31. |
| Foto © Emídio Gardé | Foto © Allen Morrison |
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| Novos trilhos na Rua Francisco Muratori, Riachuelo... | ... e o bondinho no Silvestre, com o trem do Corcovado passando ao fundo. |
| © O Globo On: Fotos de Pércio Campos e Ricardo Leone | |
Entretanto, notícias (animadoras!) na imprensa anunciam a colaboração da Flumitrens para a conclusão das obras num prazo que deverá terminar no final do próximo mês de agosto.
Resta-nos aguardar a vontade dos homens, com esperança na Divina...
Administrados atualmente pelo Sistema de Bondes, órgão estadual ligado à Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro desde a extinção da CTC em 1996, os bondinhos de Santa Teresa, além do facto de serem o último reduto dosbondes no Rio de Janeiro, sempre diferiram do outros bondes da cidade, de entre outros, por dois pormenores técnicos bem visíveis: na bitola, de 1,100m contra os 1,435m da restante rede, e no trolley - de vara e roda (de arco nos restantes).



















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