segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Soneto da perdida esperança

Carlos Drummond de Andrade


Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa

com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.

CRONOLOGIA HISTÓRICA


História.
1859 - Circula o primeiro bonde, puxado a burro, na cidade do Rio de Janeiro, ligando o Largo do Rocio ao Alto da Boa Vista. Esta linha era controlada pela Cia. Carris de Ferro, cuja exploração fora concedida ao empresário inglês Thomas Cochrane, em 1856.
1862 - A tração animal é substituída por máquinas a vapor, o que leva a Carris de Ferro a uma difícil situação financeira.
1865 - A Empresa de Carris, sem recursos para se manter e ampliar o tráfego dos seus veículos, encerra as suas atividades.
1866 - É organizada a Botanical Garden Rail Road Company. A empresa, que mais tarde se transformaria na Cia. de Carris do Jardim Botânico, foi adquirida pelo engenheiro americano Charles Greenough ao Barão de Mauá. Mauá enfrentou uma série de dificuldades e não obteve sucesso com o empreendimento.
1868 - Inaugura-se o primeiro trecho da linha de bondes da Botanical Garden, ligando o Centro (esquina das Ruas Ouvidor e Gonçalves Dias) ao Largo do Machado.
1870 - The Rio de Janeiro Street Railway Company, autorizada a funcionar no Brasil em 1869, inaugura os primeiros trechos das suas linhas, ligando o Largo de São Francisco até ao Portão da Coroa, na Quinta da Boa Vista, e em seguida, até ao Caju e à Tijuca.
1871 - Abertura do trecho entre o Largo do Machado e a Praia de Botafogo, mais tarde ampliado até às Três Vendas (nas proximidades da atual Praça Santos Dumont) e a Ponte da Rainha (na atual Rua Marquês de São Vicente). Neste ano, inaugura-se, também, o ramal de Laranjeiras.
1872 - As linhas da Cia. Ferro Carril de Santa Teresa ligam a atual Praça Quinze de Novembro ao Largo da Lapa e à Rua do Riachuelo. Deste último ponto, estende-se um ramal para Santa Teresa, que vai até ao Largo dos Guimarães e à Rua Almirante Alexandrino.
1873 - A empresa The Rio de Janeiro Street Railway Company passa a chamar-se Cia. de Sio Cristóvão. As suas linhas atravessam áreas operárias e bastante povoadas nas freguesias de São Cristóvão e Engenho Velho, avançando pela orla da Saúde e Gamboa e pelos bairros da Tijuca, Catumbi e Rio Comprido.
A Cia. Ferro Carril de Vila Isabel, organizada em 1872 pelo Barão de Drummond e mais dois sócios, coloca em tráfego a sua primeira linha, da atual Praça Tiradentes ao portão da Fazenda dos Macacos, de cujo loteamento se origina o bairro de Vila Isabel.
1877 - Inaugura-se o trajeto conhecido como Plano Inclinado de Santa Teresa.
1878 - Forma-se a Cia. de Carris Urbanos, englobando, numa única administração, quatro empresas: a Locomotora, a Ferro Carril de Santa Teresa (somente as linhas da parte baixa da cidade), a Ferro Carril Fluminense e a Carioca-Riachuelo. A nova companhia serve à área central do Rio de Janeiro, ligando-a aos terminais marítimos e ferroviários.
1892 - Inaugura-se a primeira linha de bondes movidos a energia termoelétrica - a do Flamengo, aberta ao tráfego desde 1890. A primeira viagem foi um acontecimento de grande importância e um marco para a Cia. Jardim Botânico.
- Abertura do Túnel Velho (atual Alaor Prata), perfurado pela Cia. Jardim Botânico que, aliada a interesses de empresários imobiliários, monta uma estratégia publicitária para vender Copacabana como uma opção "moderna", como um novo estilo de vida. No mesmo ano, abre-se ao tráfego a primeira linha de bondes para este bairro. Alguns diretores da Cia. Jardim Botânico, entretanto, acham arriscado e imprudente levar o bonde até "aquele recanto arenoso, sem habitação e cujo progresso seria muito lento".
1894 – Criam-se dois ramais a partir da Rua Barroso (atual Rua Siqueira Campos), ponto terminal da linha de Copacabana: um em direcção ao Leme e outro em direção à Igrejinha, no Posto 6.
1895 - Inaugura-se a primeira linha que, passando sobre os Arcos da Lapa, liga a Ladeira Santo António ao Curvelo, em Santa Teresa.
1896 - Os bondes para Santa Teresa são eletrificados. Criam-se novas linhas que atingem o Largo do França, Lagoinha, Paula Matos e Silvestre.
1901 - São concluídas as obras da linha Igrejinha-Ipanema que, nesta época, já conta com iluminação eléctrica, apesar do bairro não estar ainda habitado.
1905 - A companhia canadiana The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Limited é autorizada a funcionar na cidade para produzir energia elétrica gerada por força hidráulica. O objetivo é promover a iluminação e a produção de força motriz para fins industriais.
1907 - Alegando a necessidade de eletrificação das linhas, a Light estende seu controle administrativo às principais companhias de bonde que operam na Zona Norte e no Centro da cidade.
1910 - A Cia. Jardim Botânico constrói uma subestação transformadora na Praia de Botafogo e, no ano seguinte, começa a utilizar a energia hidroelétrica da Light. A intercomunicação das linhas das duas empresas se estabelecia a partir do Largo da Lapa.
1914 - A Cia. Jardim Botânico estende os seus trihos até ao Leblon, consolidando o seu domínio sobre a Zona Sul da cidade. Aliás, a história da urbanização da Zona Sul está intimamente ligada à atuação da Cia. Jardim Botânico, que soube aliar aos seus, os interesses de vários grupos privados, cujo objetivo era a especulação imobiliária.
1916 - A Light consegue a transferência das concessões das três companhias de bonde que administra: a São Cristóvão, a Carris Urbanos e Vila Isabel.
1928 - A Ligth obtém a concessão da última companhia de bondes a burro: a Rio de Janeiro Suburban Tramway, que actuava na linha Madureira-Irajá.
1945 - A Light começa a alegar prejuízo no serviço de bondes.
1950/59- Há uma sensível diminuição de bondes em circulação no Rio de Janeiro, época em que população teve um aumento de cerca de 50%.
1960 - Termina o prazo da concessão da Cia. Jardim Botânico, em 31 de dezembro.
1961 - Início da atuação da Junta de Administração Provisória dos Serviços de Bonde da Zona Sul, que passa a operar o serviço de bondes da Jardim Botânico.
1961/62 - Implantação da rede aérea de trolleys que vão servir a Zona Sul.
1963 - A Junta de Administração Provisória desativa as linhas de bondes da Zona Sul, no dia 21 de maio.
- Inauguradas as linhas de trolleys, na Zona Sul.
- Extingue-se a concessão à Rio Light S.A. e a Companhia de Transportes Coletivos - CTC – encampa os serviços de bonde da Zona Norte e de Santa Teresa.
1965/67 - Desativação progressiva dos bondes da Zona Norte. Os trolleys vão tomando o seu lugar, mas não funcionam como alternativa, devido à incompatibilidade entre a rede aérea, que utilizavam, e a de iluminação.
1968 - A partir deste ano, os bondes, no Rio de Janeiro, circulam apenas no bairro de Santa Teresa.